Domingo, 1 de Abril de 2012
Um Pouco Mais

Mais um pequeno olhar sobre uma obra em desenvolvimento. Espero que gostem.

 

            "Estavam já a comer o pato preparado por José, quando Afra’ recupera a consciência e abre os olhos. Quieta, apenas o seu olhar varria o espaço. Pensou que seria melhor esperar até perceber onde estava e quem seriam aquelas pessoas. Seriam muçulmanas ou cristãs? Ela não podia correr o risco de ser descoberta como uma muçulmana, não agora com um bebe. Mas onde estava o seu bebe? Teria sobrevivido? Apenas tacteou com a sua mão esquerda o mesmo lado e sentiu o que seria um pequeno corpo. Era o seu rebento com certeza.  – Mãe, a mulher acordou. – gritou Tiago ao ver a sua mão mexer. Afra’ levanta-se de rompante e pega no seu bebe, encostando-se a um dos cantos da velha casa. Cheia de medo, espera o próximo passo das estranhas pessoas.

          - Calma. – diz-lhe Maria. – Vossemecê está em segurança com a sua filha. – Afra’ olha para o seu bebe pela primeira vez. – Senhora, venha comer algo e nós dizemos o que quer saber. Vossemecê está assustada, mas nós não lhe queremos mal. – diz José para tentar acabar com o medo da mulher. – Venha, junte-se a nós. – insiste José e virando-se para a sua família diz – Vamos. Continuemos a refeição. – e com isto, afastam-se de Afra’ com a sua filha ao colo.

Aos poucos, Afra’ começa a ganhar confiança, afinal se lhe queriam fazer mal já o teriam feito à muito tempo. Estava limpa e com roupas lavadas e também esta solta. Não estava amarrada ou algo parecido. Olha mais uma vez para a sua filha. Estava limpa, quente e aconchegada numa manta. De certeza que seriam boas pessoas, tinham-nas ajudado naquela floresta. Perdeu o medo e aos poucos aproxima-se da família.

          José apercebe-se da sua proximidade e separa um naco de comida para ela. – Venha, coma algo. Vossemecê precisa de se alimentar, até porque tem a sua filha para amamentar. - Era verdade, conclui Afra’. Sentia-se fraca, cansada e precisaria de um leite forte para a sua filha. Aceitou a comida e senta-se no chão, próxima dos restantes, mas a uma distância que a deixava confortável."

 

Excerto de um romance especial, por Alvaro Faustino.




Domingo, 4 de Março de 2012
O Violinista

Bruno Gonçalves, um homem de 52 anos, baixo, largo, já com pinceladas de branco no seu cabelo. Um homem simples, honesto, pobre, que sempre viveu do seu trabalho diário. Nada demais era do que um simples empregado de limpeza, nessa que tinha sido a jóia do Porto 2001. Trabalhava na Casa da Música desde o dia da sua inauguração. Tinha sido ele e os demais colegas fazerem as últimas limpezas no dia da abertura. Ainda viu algumas das figuras públicas a passarem ao seu alcance e nenhuma reparou nele. Não se importava com essas coisas, sabia muito bem o seu lugar na sociedade.

Bruno tinha um segredo, apenas o segurança do edifício o conhecia. Todos os dias, Bruno levava dentro de uma maleta, um velho violino, onde tocava só e praticamente ás escuras, no palco da sala principal. Tocava para ele e para o seu amor. Amor esse já falecido num estúpido acidente há 30 anos atrás. Estavam casados há 1 ano, ainda a gozar a nova vida de casados, a planear o futuro, quando se viu de repente sem os dois. Sem o seu amor e sem o seu futuro. Planearam tudo, menos a hipótese de algum deles ficar sozinho, num acaso do destino. A partir daí, afogava a sua tristeza no violino oferecido por ela no casamento.

           

Ele aprendera a tocar muito novo, através de uma vizinha que ensinava música aos miúdos mais abastados da sua região. Bruno era um homem da região de Amarante, nascido numa família que trabalhava para os grandes lavradores da região. Desde cedo, foi visível a sua aptidão para a música e para que não a perdesse, essa senhora deixava-o assistir e aprender nas suas aulas, aceitando como pagamento os seus serviços. E assim, o jovem Bruno lá foi desenvolvendo a sua habilidade e no fim das aulas, ajudava a arrumar tudo e a fazer uns recados para a senhora. Já jovem adulto, mudou-se para os arredores do Porto, procurando ser um músico profissional e encontrando aqui a que viria a ser a sua esposa. Mas as coisas não tinham corrido como deviam e agora o adulto Bruno vivia sozinho, numa casa de um quarto, apanhava o metro para o trabalho e tocava para uma plateia invisível.

            E assim vivia Bruno, um dia de cada vez, à espera que Deus resolvesse levá-lo para junto do seu amor. Só que um dia, sem Bruno saber, o maestro residente tinha ficado à sua espera e assim, quando Bruno entrou e se apercebeu da situação em se encontrava, pediu desculpas pela invasão e quando se estava já a virar para sair, ouve o maestro a chamá-lo.

            - Espere, eu estava à sua espera. Por favor, fique. E já agora, pode tocar o seu violino – dizia o maestro, já sabendo que aquele homem ia ali todos os dias tocar o seu violino. Já há muito se ouvia algo sobre um empregado que tocava maravilhosamente e ele próprio já tinha ouvido alguns acordes quando passava nos corredores a caminho da saída.

– Nunca se sabe. Como estamos também a precisar de um novo violinista… - interrompeu o maestro, sem acabar a frase, como a querer espicaçar-lhe a curiosidade.

 

            Bruno nada tinha a perder. Assim, dirige-se ao palco, retira da maleta o seu violino e antes de começar a tocar, olha mais uma vez para o maestro que se encontrava na fila da frente. Percebendo o que queria, retira-se para o fundo da sala, bem na última fila, envolto na escuridão, esperando escutar os sons magníficos do violino e não os sons abafados que lhe tinham chegado, naquela vez que passou naqueles corredores.

Inicia assim a sua audiência mascarada por apenas curiosidade. Assim que a fricção das cerdas do arco começam a produzir som nas quatro cordas, o mundo desaparece e o céu desce à terra. O som brilhante, agudo, mas muito aveludado do violino mais parecia música dos anjos. Bruno ia correndo o arco e os dedos pelas cordas, produzindo as notas da mais bela música que alguma vez aquele maestro tinha ouvido. No fim, quando Bruno baixa os braços, ainda com o arco e o violino nas mãos, nota a demora do maestro em aproximar-se do palco. Vagarosamente, vai-se aproximando do local onde supostamente estaria o maestro e vê um homem estupefacto com o que a sua audição lhe proporcionou. Boca aberta, olhos lacrimosos e alma vazia. A música que tinha acabado de ouvir deixou-o completamente atónito com o que um simples empregado de limpeza era capaz de fazer com um violino nas mãos. Este homem, sem dúvida nenhuma, a tocar com uma orquestra, passaria de uma simples pessoa a um músico famoso. A porta da oportunidade tinha-se aberto para Bruno, quando o maestro perguntou – Gostaria de ingressar na nossa orquestra? – Ao que Bruno respondeu negativamente para surpresa do maestro.

- Mas porquê se o senhor toca tão deliciosamente? – pergunta ainda surpreso com a resposta negativa.

- Porque toco por amor e não por fama ou dinheiro. Porque toco para a minha falecida esposa e não para uma plateia. Porque embora esteja num palco, imagino-me no céu a tocar para ela e para os anjos. Porque assim me sito realizado e de mais nada preciso. – responde Bruno, voltando-se para trás em direcção ao palco. Guarda o seu violino na maleta e dirige-se à saída da sala, onde o maestro, ainda com lágrimas nos olhos o interpela por uma última vez.

- Poderei assistir aqui nesta última fila na esperança de você mudar de ideias?

- Pode meu caro, mas mantenho o que disse. Pode assistir, até porque a sala não é minha, apenas a tomo emprestada pelo tempo desta melodia, mas não mantenha a esperança que eu mude de ideias. Boa noite maestro – e retira-se da sala, caminhando para a saída e tomando o caminho de todos os dias para a solidão de seu lar.

 

Por Alvaro Faustino, em Exercícios de Escrita.




Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
Um Pequeno Gosto

"Uma dor forte acordou-a da letargia mental, fazendo-a relembrar da situação em que se encontrava. Nas suas partes íntimas, sentia algo desconfortável e a luz de um relâmpago fez-lhe ver o que parecia ser sangue. Desviou o olhar para cima, como à procura de uma fonte de luz e foi aí que mais um relâmpago a deixou com o sangue congelado nas veias e estarrecida com o terror que se colocava diante de seus olhos. A reluzente espada aparecia por entre a folhagem do seu esconderijo, estava tão perto da sua cara que conseguia ouvir as gotas de chuva a baterem no metal e quase sentir a fria superfície da lâmina a deslizar pela garganta. A morte era algo, de que não conseguiria escapar."

 

Excerto de um romance especial.




Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
Inverno

Sentado na velha cadeira de leitura, com o livro numa mão e um copo de um delicioso e velho malte na outra, iluminado por um candeeiro poeirento e quase tão velho como a cadeira, permaneço a olhar fixamente as palavras escritas por mais um autor. Á medida que dou um último gole ao dourado liquido dos deuses, olho pela janela. Observo o chão coberto por um manto branco de neve e gelo e admiro os grossos ramos de vida a baloiçarem com a força do vento glaciar que teima em não deixar pousar as pequenas pérolas brancas que continuam a cair do céu. A lareira continua acesa, ajudando a combater o frio e forte sopro da Natureza que me bate continuamente na fronteira transparente entre o lar e o gelado vento glaciar.

Não posso deixar de admirar a beleza caótica e ao mesmo tempo serena do Inverno. Tal como na vida, as tempestades são precisas numa grande cidade para limparem o ar poluído e pesado, característico destes grandes centros. Ouve-se um barulho, já conhecido dos meus ouvidos. Mais um tram passa na ponte. O último neste dia a cruzar um canal de água solidificada pelos 6º negativos de hoje.

 

Levanto-me para alimentar o fogo da lareira que me aquece a casa e fornecer-me de mais um copo do delicioso malte, que me aquece o espírito. Espreito pela porta do quarto. As duas mulheres que me acompanham nesta aventura da vida dormem com os anjos, desconhecendo o decorrer da noite. A filha, no seu berço, ainda nem sequer se apercebe o que é o Inverno ou Verão, vento e neve ou sol e calor. O seu momento chegará para aprender tudo o que a vida tem para ensinar. E a mãe, que descansa de um dia calmo, mas cansativo.

 

Volto para a cadeira e para a leitura. Uma história impressionante de um soldado que conseguiu fugir ao cativeiro dos seus inimigos. Fugiu descalço, num Inverno muito parecido com este. Completamente à mercê dos elementos e do inimigo que se espalhava por todo o lado. Chegará a casa? Só o saberei depois de a terminar de ler. Entretanto, deito mais um olhar pela janela. A neve continua a cair, o vento continua a soprar, os carros a passar e gente suficiente louca para usarem a bicicleta como meio de transporte numa noite destas. Não posso deixar de sorrir quando os vejo a quase escorregar no gelo que escapa ás máquinas que limpam as estradas. Mas o que será isto, comparado com o que o soldado do livro passou? Nada, quase nada, porque estes vão com todas as comodidades do Mundo actual, tal como eu. Sinto os olhos pesados com o cansaço da leitura e das horas acordado. O sono chega como uma pedra pesada e que me cobre com um cansaço pelo corpo. Acabo por adormecer aqui mesmo nesta velha cadeira, iluminado pelo poeirento candeeiro. O livro acaba por cair ao chão, perdendo as páginas que seguia e o malte que me enchia o copo, acabará por se tranquilizar, serenamente no decorrer da noite. Até a fogosa chama que me aquecia a casa acabará por se extinguir por não ter alimento, restando apenas os despojos negros de uma noite fria, podendo mesmo ainda ter força para uma ou outra brasa ou um ou outro penacho de fumo, mas nunca o suficiente para me iluminar a sala com o seu vermelho tremeluzente e caloroso.

 

Acabarei por acordar de manhã, com o corpo dorido pela posição estranha que acabei por tomar enquanto dormia. A tempestade, tal como a noite, terão acabado com o dia e com o Sol acabados de nascer, deixando antever um dia ainda mais claro, reluzente e iluminado pelo fresco manto branco que tudo cobre. Mas o frio, esse vai-se manter, apesar do Sol brilhar.

Há-de chegar o dia que a nossa estrela, a mesma que nos ilumina na vida, terá força suficiente para derreter o branco, aquecer a terra e trazer a próxima etapa da vida: a Primavera. 

 

Até lá... 




Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
Nova Funcionalidade

De maneira a testar esta nova funcionalidade dos blogs do Sapo, venho assim a escrever estas linhas para também testar o sistema. É que com isto do Facebook, estas antigas plataformas estão caídas no esquecimento. Por isso, se esta funcionalidade for prática e simples de usar, passo a escrever mais vezes no blog, não tendo de repetir tudo no Facebook.




Domingo, 7 de Agosto de 2011
Resumo das Férias

Férias, férias. O melhor momento do ano e no entanto tão curto e fugaz. Ficam as fotos para recordar as memórias. O tempo não ajudou em nada uma ida à praia. Não pela falta de sol, mas as nortadas vieram mais cedo e fortes. Andava tudo pelo ar. Até carros de bebe... felizmente sem o dito.

 

 

A melhor companhia destas férias. A nossa filha habituou-se muito bem á mudança de clima e nem se ouviu no avião. Tomou o leite e dormiu a viagem toda.

 

 

 

Recorda-mos o Sea Life Porto, desta vez com as nossas sobrinhas.

Ficaram maravilhadas com tanta "sardinha" e deslumbradas com os tubarões e raias.

 

 

Desta vez vimos as novas aquisições do aquário. Caimões, piranhas, rãs tropicais, enguias eléctricas, cobras...

 

 

Ainda muito pequenina para se lembrar, mas assim temos a desculpa para lá voltar um dia, quando ela for maior.

 

Zoo de St. Inácio, situado numa quinta de mesmo nome em Vila Nova de Gaia. Um local lindo, lindo para se passar um dia com as crianças. Aqui com a nossa afilhada mais velha.

 

 

Animais de toda a espécie. Desde cães da pradaria, passando pelos hipopótamos pigmeus, pelas avestruzes...

 

Abutres, cangurus e animais de quinta...

 

 

... como os porquinhos, póneis e cabrinhas.

 

 

Mas o mais espectacular de tudo são as aves, tanto em cativeiro...

 

 ... como em liberdade.

 

 

Mochos, corujas ou águias.

 

 

 

Tudo andava em liberdade pelo meio das pessoas. Falcões, abutres e até galos selvagens fizeram uma visita.

 

A parte mais "nojenta" para as senhoras. A demonstração de cobras e lagartos.

 

Foi a primeira vez que toquei numa cobra e para espanto meu foi uma sensação totalmente diferente daquela que imaginava.

 

 

 

Julgava eu ser uma coisa escorregadia e húmida, mas fiquei surpreso quando a pela da cobra se revelou seca e lisa. Tal como se estivesse a tocar em borracha.

 

 

 

Uma experiência boa. Mas isto não foi só passear pelos parques e cidades da minha zona. Não.

Fomos também para uma coisa muito importante na vida de uma pessoa. Baptizar a nossa filha.

 

 

 

 

Não é para me gabar, mas portou-se muito bem. Foi a criança que melhor se comportou durante a cerimónia. Mas claro que era perfeitamente normal se assim não fosse, afinal ainda não passam de bebes.

 

E assim foram as duas semanas que passamos em Portugal.

 

 

 

Rápidas e curtas, mas bem aproveitadas. Na viagem de regresso, viemos na companhia dos meus pais. Vieram uma temporada para nos ajudar a cuidar da Lisa, já que, só tem vaga para a creche em Janeiro do próximo ano. Assim podemos ir descansados para o trabalho, sem a preocupação da menina estar numa ama. Ainda bem que assim é. 

 

 


estou:: revigorado
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
...

As férias acabaram, mas deixem-me arranjar as fotos. Depois escrevo um resumo, tá bem. Tem baptizado, tem passeio. Só não tem praia porque a nortada em nada ajudou a uma visita.




Terça-feira, 5 de Julho de 2011
Uma Imagem Vale Mais Que Mil Palavras

Podia estar aqui a escrever um extenso relatório sobre estes últimos 3 meses (quase 4) da minha filha, a sua evolução etc coisa e tal. Mas não.

Aproveitei assim as fotos que fomos tirando e apresento-vos a Lisa, a minha filha.

 

Porque as imagens, por vezes, valem mais que mil palavras.

 


estou:: um pai babado
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Actualização

Não tenho desculpa pelo abandono parcial destas páginas, mas agora tenho outra patroa cá por casa. Um bebé faz os horários e tempos livres dos pais. Vamos ver se consigo actualizar isto mais frequentemente OK.

 

Sim e o trabalho também tem ocupado parte do tempo.




Quinta-feira, 17 de Março de 2011
Primeiro Toque

Ontem tive uma das mais importantes experiências depois do nascimento. O primeiro pegar ao colo, o primeiro toque na pele, o primeiro sentir do calor e cheiro de ambos e a primeira soneca abraçados.

Uma vez que lhe retiraram o maior tubo (o da respiração) tornou-se mais fácil pegar nela. Uma poltrona ao lado da incubadora, o retirar de camisolas e ficar com o peito ao léu e o pegar e sentir o calor da minha filha no meu peito. Sentirmos a pele um do outro, a respiração, o bater do coração, ela agarrar-se ao cabeludo do pai com as suas pequeninas mãos é algo de inexplicável. Algo que só por quem já passou poderá compreender. Mas gostei, adorei e chorei. Sim chorei, não tenho vergonha de o dizer. Porque um verdadeiro homem também chora. E porque se trata de segurar a minha filha muito desejada e fruto deste grande amor, pela primeira vez.


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Um Passo Importante

Ainda nem uma semana passou desde o nascimento da minha filha e já deu um grande passo na sua ainda curta vida.

Uma vez que é prematura e teve de ser retirada com alguma urgência da segurança do ventre da mãe, ela não veio preparada para a vida cá fora, por isso está na incubadora e teve de ser ligada a várias máquinas, uma delas que a ajudava a respirar.

 

Pois bem, ontem mostrou-se forte e mostrou que já não precisa dela. Já consegue faze-lo sozinha sem a ajuda. Assim ontem já conseguimos admirar o seu pequenino nariz e discutir a quem sai. Bem e ganhei eu. Pelo menos no nariz sai ao pai.

 

A mãe já está em casa e já tratamos de alugar a máquina de amamentação. Sim porque o leite materno é o melhor e mais indicado para ela, principalmente nestas circunstâncias, que precisa de todas as defesas no seu pequenino corpo.

 

Em relação a mim lá tive de aprender a fazer o comer, já que com a mulher internada eu tinha de me alimentar. Sempre a ajudei naquilo que podia e sabia, mas em relação a fazer as refeições nunca aprendi. Lá o tive que fazer pela primeira vez e não é para me gabar, mas saiu muito bem. Muito bem mesmo. Tudo graças á minha filha que mesmo sendo pequenina, já obrigou o pai a aprender. E ainda mais coisas me irá obrigar a aprender.




Segunda-feira, 14 de Março de 2011
Um Chorrilho de Emoções

Emoções: medo, surpresa, receio, alegria, preocupação, felicidade. Não saber o que pensar, estar de mãos atadas sem saber o que fazer, o que dizer, para onde ir. Todas estas e mais algumas que não consigo adjectivar passam pela cabeça, pela pele, pelos olhos e boca de um homem no momento de ser PAI.

 

A Lisa está cá fora. Cedo demais (ainda faltava mês e meio) sem querer, mas assim teve de ser para segurança das duas. Filha e mãe estão bem, em recuperação e por causa disso, todas as emoções descritas e mais algumas continuam presentes.

 

Mas no final a alegria, felicidade e muita baba vencem e revelam o meu estado de espírito.


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Sábado, 19 de Fevereiro de 2011
Só Para Me Lembrar

Só para me lembrar que ainda estamos no Inverno.

Está a nevar em Roterdão e como de costume é uma coisa muito bonita. Estando nós dentro do quente e conforto de casa, claro.




Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
Dia dos Namorados

Que raio de dia que foram inventar. Dia esse que nunca me interessou muito. Traumas do tempo de escola, se calhar. Todos da minha geração, e mais novos, devem lembrar-se deste dia no tempo de escola. Os postais, as cartas, as declarações, as flores... Pois bem, nunca recebia nenhum. nem um papel recortado em forma de coração. A única vez que recebi um, andava eu no 10º ano, era apenas para gozo.

 

Ora bem, agora tomem lá o troco.

 

Cresci, formei-me e construí a minha vida. Por aquelas que eu tive "um fraquinho", me ignoraram e preferiram namorar com os "fixes" lá da escola, estão agora com problemas, malcasadas ou divorciadas.

Vocês não sabem o que perderam...

 

...segundo o que diz a minha mulher.

 

Para aqueles que ligam a estas coisas, a melhor oferta que encontrei foi um jantar no Planetário de Espinho.

Um jantar romântico, dentro do planetário, debaixo das estrelas projectadas. Uma imagem a 360º da esfera celeste, com a passagem de vários corpos. A romântica Lua, os planetas, as estrelas e nebulosas passarão pela nossa cabeça enquanto jantamos com a nossa cara metade.

Uma ideia bastante original, pedagógica e romântica, pois claro. Até eu a aproveitaria se estivesse em Portugal.

Ora aqui está uma forma diferente de comemorar este Dia de S. Valentim. 

 

 


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Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011
De Certeza

Terça-feira fomos fazer mais um ecografia e tivemos a confirmação do sexo do bebé.

É uma menina de seu nome Lisa.

Claro que certeza certeza, só quando nascer, mas quando fizemos o eco-exame das 20 semanas, já nos tinham dado 95% de certeza. Agora com esta última ficamos com 99.9%.

Tudo corre bem, dentro do normal. Também já deu a cambalhota .

Para já temos mais dois controles e pelo menos mais uma eco antes do nascimento. O quarto já montadinho, faltando agora umas pequeninas, mas importantes coisinhas. Banheira, o carrinho e pouco mais.

 

No meio disto tudo, sinto-me um verdadeiro "cota". 30 anos feitos à pouco, dois meses para o nascimento do primeiro filho, fazem-me sentir um velhote ahahah.


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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
É Importante

O inicio deste ano não tem sido muito bom. Pouco trabalho. Mas nestas últimas 3 semanas lá andei eu a trabalhar no sitio que a maior parte dos homens, e algumas mulheres, gostariam de trabalhar. Os escritórios da Heineken International em Amsterdam.

Compraram um prédio de sete andares mesmo ao lado do existente e trataram de o renovar para novos escritórios. O trabalho consistia em andar de um lado para o outro, procurando sempre manter o local limpo de lixos de obras. Aparas de madeira, pedaços de cabos, caixas de cartão, plásticos, tudo o que fosse velho e não necessário teria de sair dali.

O resultado foi óptimo até para os responsáveis da empresa. Provavelmente nunca viram obra tão limpa como aquela LOL.

 

Mas como tudo, a obra acabou.

No final a Heineken ofereceu um lanche e bebidas a todos como forma de agradecimento e presenteou-nos também com alguns produtos, desde um simples chapéu até a umas latas de cerveja. Obrigado.

Saí mais tarde nesse dia de Amsterdam por causa disso e de outra coisa. Ficaram muito contentes com o meu trabalho que pela primeira vez desde que me encontro aqui, quiseram ficar com os meu contacto para futuro. É que eles já estão a pensar comprar um outro edifício para o transformar em escritórios e esperam contar comigo para fazer de novo um trabalho eficiente.

 

Estes sim, verdadeiros holandeses que reconhecem um bom trabalhador, mesmo sendo estrangeiro. 




Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
Nascimento

Não, ainda não foi a minha filha que nasceu. Para lá caminha, mas mais lá para a frente.

 

Este blog foi criado sem um objectivo concreto. Nasceu para eu falar, desabafar, relembrar de muitas coisas. Um pouco de tudo, um pouco de nada. Escrevo e comento sobre os mais variados assuntos, uns pessoais, outros genéricos, ás vezes misturam-se pois o Mundo gira com isto e nós giramos com o Mundo.

 

Num dos muito assuntos abordados, o trabalho e a emigração na Holanda veio á baila. Na altura estava mau e por isso escrevi para alertar outros, que como eu, decidiram ou pensavam em vir para cá (não é que esteja melhor, já que o inicio deste ano está s ser muito fraquinho, mas adiante). Através desse artigo, entram em contacto comigo muitos portugueses á procura de trabalho, informações, dúvidas, enfim, um pouco de tudo, em relação a este país. E pelo que pode ver no Live Traffic Feed, cada vez mais e mais.

Uns querem vir pela primeira vez, outros novamente e outros já cá estão mas... com dúvidas.

 

Nasce hoje assim um outro blog:                                             Portugueses na Holanda.

www.portuguesesnaholanda.blogs.sapo.pt

 

Ainda em construção mas o seu objectivo será informar, tirar dúvidas e dar algumas noticias tanto para os muitos portugueses que cá vivem e trabalham, como para os que ponderam vir para cá.

Um ponto de encontro para que todos nos possamos ajudar num país estrangeiro, com as suas leis e regras, direitos e deveres.


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Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
Ontem e Hoje

Noite de 31 de Janeiro para 1 Fevereiro 1953. Uma lembrança da Natureza para que os Homens não se esqueçam de onde vivem. O maior desastre natural do séc. XX atinge os Países Baixos com uma força destruidora, reclamando a vida de 1836 pessoas e milhares de animais domésticos. Reclamando também muitos hectares de terra, a água entrou, matou, reclamou e venceu neste dia.

 

 

Depois deste dia havia a fazer muita coisa. Cuidar dos feridos, ajudar os desalojados, enterrar os mortos, lavrar de novo a terra e...

Prevenir outro desastre no futuro.

 

Nasce o DeltaWerken.

 

 

O maior plano a nível mundial para proteger um país de inundações e reclamar mais terra ao mar. Está previsto para os próximos 50 anos a realização de obras de melhoramento dos diques, aumentando-os em média 10 metros, já para prevenir a possibilidade de um aumento do nível do mar. Para o curto prazo (2013) está já em andamento o crescimento do país em cerca de 2000 hectares no Porto de Roterdão.

 

 

É uma luta constante entre Holanda e Mar do Norte. Umas vezes avançam, outras recuam, mas uma coisa que os holandeses nunca perderam foi o respeito pelo Mar.


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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
Novo Ano, Novos Objectivos

Finalmente começou o ano de 2011. Espero eu que seja melhor que o anterior.

Este ano que começa, é um ano de realizações: Nascerá o nosso primeiro bebe, que será uma menina; acabaremos a escola de holandês; e novos trabalhos no horizonte.

 

Quanto aos comentários e emails, ainda terão de esperar mais um bocadinho pela resposta, pois preciso primeiro de guardar a tonelada de roupa de bebe das malas, pagar as contas que ficaram em atraso, passar fotos para o computador e escolher as melhores para a net e imprimir; visitar os colegas e amigos que aqui ficaram, etc.

 

Voltemos então aos eixos.


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Sábado, 23 de Outubro de 2010
Bom Fim de Semana

Como de costume, sempre que tenho viagens para as primeiras horas da manhã, faço a pernoita no aeroporto. É que isto de ter de acordar cedo e apanhar sei lá quantos transportes logo de manhã cedo, não é muito a minha onda. Prefiro jantar bem, com calma apanhar os transportes públicos mais tardios e passar aqui a noite no aeroporto. Sem as correrias da manhã, mesmo sendo ao fim de semana.

 

Sendo assim cá estou eu (e a minha cara metade) á espera do nosso avião.

Para quê? Perguntarão vocês.

Bem, não vamos a Portugal, isso é mais para o Natal, mas decidimos passar este fim de semana na Suiça. Aproveitando o facto de termos lá familia e o seu rebento fazer dois aninhos este fim de semana, fazemos a surpresa de aniversário e recarregamos as baterias. Vá lá, meia recarga, porque para ficar completa só mesmo no nosso país.

 

Vai ser lindo ver a cara da mãe e da filha quando nos virem a bater á porta. O pai nem tanto, já que esse nos vai buscar ao aeroporto e sabe da surpresa.

 

Por isso, em modos que a meter inveja: Au Revoir e bom fim de semana.


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