Porque sem ele, não teríamos saído da Idade da Pedra. Com amor, respeito e opinião tudo se resolve, tudo evolui...

01
Mai 06

     1º Maio, este dia em que a maior parte de nós fica em casa para aproveitar o feriado, ou vai passear. Outros ficam contentes por ser mais um dia em que não se trabalha, mas alguém sabe o que é o 1º de Maio, qual o seu significado ou o seu surgimento? Provavelmente a grande maioria não, inclusive eu próprio. Mas como sou uma pessoa que gosta de aprender, fiz uma pequena pesquisa na web sobre o 1º de Maio e encontrei a sua história. É um feriado, não só em Portugal, onde também está ligado à Revolução dos Cravos no 25 de Abril de 1974, mas também na maioria dos países europeus e das américas. Um dia, onde não só se comemora, mas também se lembra daqueles que fizeram a 1º luta pelos direitos dos trabalhadores, foi o dia em que o trabalho deixou de ser visto como uma escravatura e passou a ser visto como um direito e/ou dever.

Aqui deixo a sua história:

 

     No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração. A necessidade de se produzir o máximo, ao mais baixo custo não respeitava idades nem sexos. As organizações sindicais eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.

     Em 1864 é criada a Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres. A iniciativa surge num contexto de união entre líderes sindicais e activistas socialistas com vista a dar voz às lutas dos trabalhadores e às nações oprimidas. A esta associação se chamou mais tarde a Primeira Internacional Socialista que duraria sete anos. As divisões ideológicas entre as várias facções (sindicalistas, anarquistas, socialistas, republicanos e democratas radicais, entre outras) puseram fim à agremiação, mas deixaram mais explícitas as reivindicações e propostas pelas quais os trabalhadores se deveriam debater. A redução da jornada de trabalho para as 10 horas diárias era uma delas.

     Os objectivos saídos desta Internacional tiveram eco no IV Congresso da American Federation of Labor, em Novembro de 1884. As negociações, sucessivamente falhadas com as entidades patronais, fizeram das cidades operárias um barril de pólvora pronto a explodir. Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta.

     Na cidade de Chicago, a repressão policial foi especialmente dura. Ao quarto dia de manifestações (dia 4 de Maio) explodiu uma bomba entre a multidão matando dezenas de trabalhadores e alguns polícias. Deste incidente resultou a prisão de oito líderes do movimento. Quatro foram condenados à morte por enforcamento e os restantes a prisão perpétua. Em 1890, o Congresso americano vota a lei que estabelece a jornada de oito horas de trabalho e três anos mais tarde, depois da reabertura do processo que levou à condenação dos oito operários, conclui-se que a bomba que explodiu em Chicago, tinha sido colocada pela, própria polícia.

O luto fortaleceu a luta

     Três anos depois da condenação dos que ficaram conhecidos como os “Mártires de Chicago” as repercussões sentiram-se na Europa. Assim, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.

     Curiosos são os títulos de alguns jornais americanos a propósito das manifestações dos trabalhadores. O “Chicago Tribune” dizia na altura: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”. O New York Tribune seguia a mesma linha: “Estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações”. De sublinhar que nos EUA o chamado Labor Day festeja-se a 3 de Setembro e não a 1 de Maio.

 

Em Portugal

     A decisão da Comuna de Paris, de decretar o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador teve repercussões no nosso país. Diz-nos José Mattoso (in História de Portugal, vol. 5), que houve um reforço da luta do movimento operário português em finais do séc. XIX sendo "em torno da associação e da greve que gravita o próprio movimento operário". Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.

     Mas, segundo o mesmo autor, o movimento operário alcançava grande força quando aquelas (associações) a que hoje, chamaríamos propriamente, «sindicatos», se juntavam com as recreativas, as de socorros mútuos e os centros políticos". Tal ficou demonstrado no 1º de Maio de 1900 que juntou em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que "as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia.

     Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador. Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo, as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.

     O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal, depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia.

Liliana Filipa Silva

In http://jpn.icicom.up.pt/

 

publicado por Alvaro Faustino às 01:20
sinto-me: um lutador

é so para deixar claro á malta e tal que oprazerdainsolencia tá vivo se bem que com alguma comixão no mindinho do pé esquerdo... mas pronto tá vivo... sem mais assunto, ora entao um grande bem haja
Insolente a 4 de Maio de 2006 às 00:41

Estive uns dias sem aqui aparecer hoje levas comigo em todos os post.
Armado em intelectual de esquerda? Ha.Ha..Ha..lol.lol..
jocas
ciloca a 21 de Junho de 2006 às 19:27

Vi na televisão que a greve geral registou grande adesão, segundo os sindicatos. Já o Governo desvaloriza os números, situando a adesão nos 18%. Mais uma vez as conclusões divergem.
tv a 25 de Novembro de 2010 às 00:21

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