Porque sem ele, não teríamos saído da Idade da Pedra. Com amor, respeito e opinião tudo se resolve, tudo evolui...

01
Nov 12

            Regressei antes da Passagem de Ano e logo no dia 3 de Janeiro, no primeiro dia útil do ano, recomecei o trabalho nas limpezas e alguns trabalhos de preparação das estufas para a temporada seguinte. Não era trabalho que gostasse muito, sempre gostei de trabalhos mais técnicos, mas era o que estava disponível e assim permaneci durante mais algumas semanas até que surgiu a oportunidade de mudar de área. Iria começar a trabalhar em demolições de estufas.

            Assim comecei a minha nova tarefa juntamente com a condução. O trabalho era outro, a área diferente, mas a responsabilidade do transporte mantinha-se. Comecei como um simples trabalhador, em que a única coisa que tinha de fazer era separar metais, juntar material, empacotar vidro, limpar o terreno, etc… mas o que custava era o clima. Trabalhei à chuva, ao frio, no meio de lama, por vezes até ao joelho, a doer o corpo devido à dureza do trabalho, ao peso dos materiais a ganhar pouco mais do que aquilo que estava, mas com um horário de trabalho mais longo, das 7h00 ás 17h00, trabalhando também Sábados até ás 12h00 e aproveitando as tardes para abastecer a dispensa e descansar um pouco e os Domingos passados a conhecer o país quando não tinha trabalhos de condução ao fim de semana. Aproveitava todas as horas possíveis para mostrar o meu valor e na esperança da estrelinha da sorte brilhar.

            Houve assim um dia, passados uns 7 meses, que por falta de um colega de trabalho que resolveu não aparecer ao serviço, ser-me dada a hipótese de trabalhar numa plataforma de demolição como auxiliar, desmontar ou demolir as janelas das estufas, os vidros, as caleiras, as grades metálicas de sustentação. O patrão gostou do que viu e assim, mesmo antes do inicio do Inverno, troquei o trabalho no chão pelo de plataforma. Até que um dia, os nossos amigos, com quem partilhávamos a habitação da empresa, mudam de casa e de empresa. Por algum tempo, eu e a minha esposa vivemos sozinhos numa casa com 4 quartos, mas as coisas mudaram rapidamente. A “invasão polaca” estava a começar e as empresas de trabalho temporário começaram a preferir a mão-de-obra polaca e então começamos a partilhar a casa com polacos. O ambiente tornou-se pesado, desconfiado e sem sossego. Bebiam, fumavam droga, música alta, soube de casos em que roubavam os companheiros na ausência. Era impossível descansar e até mesmo trabalhar sem preocupações. Não era ambiente para começar uma nova vida e muito menos formar família.

            Tomamos a decisão de procurar casa, até porque com habitação da empresa estávamos sujeitos às suas ordens. Uma casa própria dava-nos mais liberdade de procurar trabalho e a inscrição na Gemeente, passo muito importante para ter direitos como cidadão e trabalhador na Holanda. Encontramos uma casa na zona, o que era bom. Charlois era um distrito da cidade que conhecíamos bem, onde estavam as lojas, os transportes. Tínhamos dois quartos, a sala, cozinha e casa de banho, uma pequena varanda e aquecimento em todas as divisões por 400 Euros mensais de renda. Aceitamos, assinamos contracto e ficamos com a papelada necessária para a inscrição na Gemeente. O pior é que os meses foram passando, os problemas aparecendo e aceitação da Gemeente da nossa inscrição… nada. E para ajudar à situação, não sabíamos a quem recorrer para nos ajudar.

publicado por Alvaro Faustino às 21:29

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